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NASCIDOS CATÓLICOS

Amordaçados, sem liberdade de escolha, nascem assim, crescem assim e rumam ao inferno pensando que o purgatório existe. Enganados, seguem crendo em homens, na contramão daquela que dizem ser A Palavra de Deus.

NASCIDOS CATÓLICOS

Amordaçados, sem liberdade de escolha, nascem assim, crescem assim e rumam ao inferno pensando que o purgatório existe. Enganados, seguem crendo em homens, na contramão daquela que dizem ser A Palavra de Deus.

Na Cova da Iria - Uma Maneira de Enriquecer Depressa

O Dr. Luís Cebola, especializado em doenças mentais, e, nessa altura, director da Casa de Saúde do Telhal, sabendo que eu andava colidindo elementos para a história do embuste de Fátima, garantiu-me o seguinte: O seu amigo, padre Fernando Eduardo da Silva, capelão militar já falecido, procurara-o, um dia, para dizer-lhe que não desejava ir desta vida sem lhe confidenciar um facto que supunha da maior gravidade para a Igreja Católica, de que era ministro. E narrou o diálogo havido em Torres Novas, entre três sacerdotes: O pároco de Fátima, Manuel Marques Pereira, o fanático Benevenuto de Sousa e o padre Abel Ventura do Céu Faria, prior de Seiça. Perguntado o primeiro sobre como lhe corria a vida na paróquia, respondera: «Aquilo não dá nada. Região pouco produtiva, gente miserável, sem iniciativa…» Então, o que perguntara lembrou-lhe: «Tens uma maneira de enriquecer depressa: provoca uma aparição como a de La Salette ou a de Lourdes e cai-te lá o poder do mundo!» O de Fátima ouviu, pensou um bocado e replicou: «Pensas bem. O meio presta-se para coisas dessas!» E logo ali combinaram promover, sem perda de tempo, a aparição, entrando os três no negócio. Como, porém, rebentasse a grande guerra de 1914, os trabalhos da empresa foram suspensos até 1917.

[…] Tempos depois, encontrei-me com o velho democrata Manuel Duarte, que me informou de outro caso, não menos valioso: a conversa que o bispo de Leiria mantivera com o Dr. Egas Moniz, meses após a farsa das aparições de Fátima. […] Regressando da sua aldeia, encontrara no comboio o referido bispo, D. José Alves Correia da Silva, […] até que veio à baila o problema religioso, que tanto se modificara após a Guerra de 1914. […] Uma coisa o andava confrangendo: era o caso de Fátima, em que estavam envolvidos alguns párocos, um dos quais excessivamente falador. (É possível que falasse também no velho e astuto Benevenuto, grande empresário de santuários.)

«Compreendes _ continuou o bispo _ a minha preocupação e receio de que tudo redunde num fracasso, ou, melhor, num desaire para a Igreja de que sou representante.» (Deve ter-lhe recordado o escândalo de La Salette, que acabou nos tribunais, com grave desprestígio para a religião.  Estava também na memória de todos e desfecho que tivera o caso do santuário da Senhora de Lourdes, que o referido Benevenuto mandara construir em Torres Novas _ totalmente arrasado pelo povo, irritado com os abusos que à sombra cometiam*).

O professor procurou sossegar os espírito inquieto do bispo. «Diz-me: isso está limitado à acção do clero local? O povo não colabora?» O bispo esclareceu que a concorrência ao santuário era já muito grande e que aumentava dia a dia. E o cientista, que é também hábil psicólogo: «Uma vez que o povo já tomou conta do caso, sossega, porque só ele poderá desfazer o que está feito. E sabes bem que não o fará na tua diocese, uma das mais devotas da nação. Pelo que me dizes, o povo já proclamou a aparição, já lhe ergueu santuário e corre em chusma para ele. Tu preveniste o clero numa pastoral para que não tome partido pró ou contra. Fizeste bem. Salvaguardaste o prestígio da Igreja para a hipótese de qualquer fracasso. E agora, caro amigo, lá vai a minha profecia: Dentro de pouco tempo terás de sancionar a voz do povo, e tu próprio acabarás por presidir e orientar os negócios de Fátima.»

 

* Tenho à vista um dos apelos feitos pelo referido Benevenuto ao povo da sua região, em Maio de 1910. Dele transcrevo apenas a seguinte passagem: «As ofertas podem consistir em uvas, figos, legumes, trigo, milho, mosto, vinho, etc. etc., ou em dinheiro.» E fecha: «Gratidão à Virgem Imaculada! Ofertemos-lhe, dos frutos das nossas propriedades, o melhor!» A Monarquia, para manter as instituições que vigoravam então, permitia, aconselhava e tomava parte nestas manifestações de fé. A Republica , dispensando a protecção do Céu, transferiu para o povo o direito de regular o seu destino. E Torres Novas começou por derribar o santuário e entregar à polícia o charlatão. Quando se viu preso no Governo Civil de Santarém, o impostor Benevenuto chorava como uma criança. (V. meu artigo em Republica Portuguesa, Outubro de 1910).

 

Do livro: Na Cova dos Leões

Tomás da Fonseca

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