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NASCIDOS CATÓLICOS

Amordaçados, sem liberdade de escolha, nascem assim, crescem assim e rumam ao inferno pensando que o purgatório existe. Enganados, seguem crendo em homens, na contramão daquela que dizem ser A Palavra de Deus.

NASCIDOS CATÓLICOS

Amordaçados, sem liberdade de escolha, nascem assim, crescem assim e rumam ao inferno pensando que o purgatório existe. Enganados, seguem crendo em homens, na contramão daquela que dizem ser A Palavra de Deus.

A N. S. da Ortiga, e os Pastorinhos de N. S. de Fátima que Esteve para Aparecer em Tomar

Continuando com a verdadeira história da aparição em Fátima:

 

Pouco tempo depois, encontrei no Chiado o professor Bissaia Barreto que V. Em.ª bem conhece, desde as lides universitárias de Coimbra. Ele então emitiu o seu ponto de vista [em relação à aparição de Fátima], e eu defendi o meu […] ele deteve os passos e preveniu-me, como amigo de há muitos anos:  «Toma cuidado! Essa atitude pode acarretar-te graves dissabores, como já tem acarretado a outros!» E exemplificou: «Há tempo, um professor duma universidade católica alemã veios a Portugal estudar o caso de Fátima. Foi à Cova da Iria, assistiu a peregrinações, passeou pelas aldeias e, depois de muito ver, ouvir e comparar, remeteu para o seu país as impressões colhidas. Tanto bastou para ser expulso de Portugal!» […]

Assente, como vimos, o aparecimento da Santa, faltava o plano de trabalhos que deviam traçar com maior cuidado e segurança, não fosse acontecer-lhes como ao pároco de Cops, no caso de La Salette. Este manobrava com tal pressa que, em lugar de uma Virgem Santa, que viria do Céu, apareceu uma ex-religiosa, a menina Merlière, que nos dias das aparições vinha de trem, que a largava em certo ponto, donde subia ao monte, por veredas ocultas ao olhar dos profanos. O pior foi ter falado demais, e tão pouco a propósito, que acabou por ser chamada a prestar contas à Justiça e condenada como embusteira. Ela e o pároco organizador do embuste.

 

Em Portugal, país onde o laicismo se arraigara profundamente na alma popular, as coisas tinham que ser vistas a uma luz em que a prudência ocupasse o primeiro lugar. Assim o impunha a vastidão da empresa projectada. Começariam por visitar a região, a fim de escolherem o local mais adequado ao intento. Isso fizeram, assentado que a Senhora apareceria junto duma azinheira  ou outro arbusto, para não copiarem La Salette nem Lourdes. E a azinheira surgiu, frondosíssima, no Chão das Maias, arredores de Junceira, concelho de Tomar.

 

Tudo parecia correr bem. Sítio aprazível, possibilidade de comunicações, o Nabão perto… Quanto à Santa, o nome também estava achado: denominar-se-ia Senhora dos Catorze, por ser esse o dia escolhido para a sua primeira aparição. E realmente ela teria aparecido se não fosse ter surgido também o proprietário da herdade, que não só lhes proibiu a invasão da mesma, como ainda resolveu cortar a frondosa azinheira, que uma junta de bois arrastou para junto de um forno, onde se converteu em cinzas. (Informação fornecida pelo sr. António Curado Glória, sobrinho e herdeiro do professor Bernardo, que até morrer protestou sempre contra o embuste das aparições).

 

À vista de semelhante fracasso os empresários procuraram outro local e outra azinheira, escolhendo por fim a da Cova da Iria junto a Fátima, mas depois de terem verificado se por ali existiam ortigas, não lhes sucedesse como à outra Virgem-mãe que descera igualmente do Céu e ali poisara num rodelo dessa planta, donde lhe veio o nome. * Não havia, talvez porque a outra, vendo que a não tomaram a sério, e antes de voltar para o Céu, tivesse amaldiçoado tal lugar e tal erva. […] Outro problema a resolver, e este bastante melindroso: o número e qualidade dos restantes comparsas. Neste ponto, é que não viram meio de evitar os pastorinhos _ única maneira, até hoje, de obrigar a Senhora a dizer coisas, visto que nunca se entendera com pessoas letradas. […] O pároco local, Manuel Marques Ferreira, logo se rodeou de duas ou três crianças, filhos de gente pobre e inculta, todos eles analfabetos, mas treinados na cartilha e no rosário. […] Todos eles, pais e filhos, bem ligados aos párocos pelas missas, catequeses, sacramentos e, sobretudo, pelo confessionário.

 

* V. Santuário Mariano (edição de 1707), vol., p.349, onde Frei Agostinho de Santa Maria, inicia o cap. 22 com a seguinte legenda: «Da imagem de N. S. da Ortiga, em o lugar de Fátima, termo de Ourém.» A seguir, narra o frade: «Referem por tradição os moradores que, andando naquele sítio do Casal de Santa Maria uma menina muda, apascentado umas ovelhinhas… lhe aparecera a Mãe do Divino Pastor, Maria Santíssima, e que lhe dissera: “Queres dar-me uma das cordeirinhas que guardas?”» O resto é como em todas as aparições de santas: a língua desprendeu-se, os ouvidos destaparam-se e aí vai ela a correr, gritando o seu milagre, pedindo ao mesmo tempo que levantem a igreja que a Senhora reclama. E começam os milagres, que, afinal, pouco duraram, devido às tais ortigas, que tanto picaram e tanta comichão fizeram nos devotos, que em torno do santuário, durante a noite, por ali se abaixavam. Comichões e brotoejas, que muito irritaram a Senhora, a ponto de esta nunca mais lá voltar.

 

Do livro: Na Cova dos Leões

Tomás da Fonseca, pp. 178-180

 

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