Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

NASCIDOS CATÓLICOS

Já não basta sabermos o que cremos. É essencial saber porque é que cremos. Acreditar nalguma coisa não significa necessariamente que ela seja verdadeira: (Paul Little)

NASCIDOS CATÓLICOS

Já não basta sabermos o que cremos. É essencial saber porque é que cremos. Acreditar nalguma coisa não significa necessariamente que ela seja verdadeira: (Paul Little)

Interrogatório de Lúcia, a 13 de Outubro de 1917:

_ «O menino Jesus estava em pé ou ao colo de S. José?»

_ «Estava ao colo de S. José!»

_ «Perguntaste à Senhora o que queria?»

_ «Perguntei… Disse que Nosso Senhor estava muito ofendido… Que a guerra acabaria hoje e que esperássemos os nosso soldados muito e breve»

_ «Até onde lhe descia o vestido?»

_ «Até mais abaixo que o meio da perna!»

(Da primeira vez, Lúcia dissera que o vestido lhe descia quase até aos pés).

 

No mesmo dia ouviu Jacinta, que confirmou Lúcia: «A guerra acabaria hoje»

_ «Ouviste-lhe dizer quando viriam os nossos soldados?»

_ «Não ouvi!»

 

Seguiu-se o interrogatório de Francisco:

_ «O menino estava ao colo de S. José ou ao lado dele?»

_ «Estava ao lado dele!»

_ «Ouviste o que a Senhora disse?»

_ «Não ouvi nada!»

_ «Quem te disse o segredo? Foi a Senhora?»

_ «Não, foi a Lúcia!»

_ «O povo ficava triste se soubesse o segredo?»

_ «Ficava!»

 

Nestas entrevistas, como acabamos de ouvir, o Cónego nada acrescentou à glória da Cova. Pelo contrário: diminuiu-a, com as divergências que tão cedo notou, o que muito seriamente o deve ter preocupado. De tal sorte que, logo a 19, volta à carga […]

Na Cova dos Leões

Tomás da Fonseca

Continua:

 

hqdefault.jpg

 

“A mãe de Jacinta dizia-lhe: «O inferno é uma cova de bichos e uma fogueira muito grande e vai para lá quem faz pecados e não se confessa e fica lá sempre a arder» (Jacinta p.94).

 

Esta era a descrição menos assustadora do inferno contada e recontada aos pastorinhos diariamente. É difícil “avaliar o terror que avassalou o espírito débil das três crianças e a razão porque só pensavam em rezar e ganhar indulgências, pois lá diz a Missão: «Quem lucrar uma indulgência plenária em toda a sua plenitude e morrer no mesmo instante, vai logo para o céu sem alguma demora; nem pelo Purgatório passa.» (Aditamento, p. 41)

Assim se explica a contínua ansiedade das crianças em irem para o céu. Viver num mundo assim, com tais misérias e pecados, para quê? Antes morrer e o mais breve possível! «Que queres tu ser?» perguntaram ao Francisco _ «Não quero ser nada. Quero morrer e ir para o Céu.» (Rolim, p. 183).

Tinha carradas de razão. […] Quando Francisco caiu de cama, a uma pergunta de Lúcia respondeu: «Já me falta pouco para ir para o Céu!»

Na altura em que Jacinta estava a ser interrogada pelo agente do governo, Francisco segredou a Lúcia: «Se nos matarem, daqui a nada estamos no Céu.» (Rolim, pp. 169 e 181). E a Jacinta, antes que a tuberculose a surpreendesse: «Entraria de boa vontade no convento, mas preferia ir para o Céu, o mais depressa possível.» (Os videntes de Fátima, p. 89).

Com esta obsessão do Céu, pavores do inferno e a doença vergando-os e chupando-os, inexoravelmente, como poderiam eles deixar de ver e ouvir tudo quanto Lúcia pretendesse para os fins que tinha em vista, como primeiro agente dos empresários?! […] o túmulo era bem mais seguro do que o convento, onde seria preciso esconde-los, se antes não fossem para o Céu … (Jacinta, como vimos, preferiu este caminho… ou lho fizeram preferir, segundo muita vez se tem dito.)”

 

Na Cova dos Leões pp. 198-199.

Tomás da Fonseca

 

os-tres-pastorinhos.jpg

 

 

Como se engana um povo com mentiras de um clero que só pretendia encher os cofres à custa da ignorância promovida pelo mesmo clero.

Para aterrorizar os 3 pastorinhos escolhidos para verem a "aparição", há que lhes ler o “Missão Abreviada", (que supostamente contém) os espantosos sofrimentos do Senhor, desde a casa de Pilatos, rua da amargura fora, até ao Monte Calvário. Este foi o livro lido aos pastorinhos dia-após-dia,  que levou Francisco e Jacinta a flagelar-se com abstinências e cilícios. Além das rezas, os dois praticavam sacrifícios bem duros, impróprios para idade. Foi-lhes incutido que só iriam para o céu se sofressem como o Senhor Jesus que, segundo o Missão Abreviada, havia sofrido:

 

144 pontapés

150 punhadas

102 bofetadas

202 golpes no peito e no corpo

27 arrastões com a corda

Açoites, passaram de 5000

72 angústias no coração

72 cuspidelas no rosto

72 golpes de martelo ao cravar os pregos

109 suspiros

6745 feridas no corpo

600 200 lágrimas que chorou

230 000 gotas de sangue («Aditamento», na p. 242).

Cálculo que fez um curioso, dado a estatísticas: 1 500 gotas _ 1 decilitro _ o que soma 20 litros para o sangue e mais de 40 para as lágrimas, ou fossem 3 almudes bem medidos.”

 

É preciso ser muito mau carácter para inventar uma lista destas. Imaginam os sacrifícios que o Francisco e a Jacinta fizeram porque lhes era dito que ninguém iria para o céu sem sofrer o que Jesus sofreu? Eles morreram devido a este ensino. Mas, quem se importa?

 

Na Cova dos Leões p.193

Tomás da Fonseca

 

missão abreviada.jpg

 

Tomás da Fonseca, escreveu muitas cartas ao Cardeal Patriarca de Lisboa, publicadas no jornal "República", com o propósito

de abrir os olhos ao povo para o embuste de Fátima. Depois de, em várias cartas, expor as contradições da "aparição", faz este  apelo sentido sentido:

 

“Senhor Patriarca de Lisboa:

 

Bem sei que tenho vindo a ensinar o pai-nosso ao vigário, que neste caso é V. Em.ª. Mas se tudo sabeis, e melhor do que ninguém, não o sabe a grande maioria do povo português, especialmente os desgraçados que, à voz do clero, suspendem as sachas e as ceifas, abandonam o boi e a charrua, e aí vão todos em corda, como os carneiros de Panúrgio, ou as lagartas dos pinheiros, na convicção de que quanto lhes dizem, do altar e do púlpito, é palavra de Deus, que não engana. Vamos, portanto, ao seu encontro, e digamos-lhes tudo, a fim de os libertarmos da cruz e do que lhes falta percorrer na via dolorosa a que a ignorância e a miséria os condenaram. Se não pudermos aliviá-los, nem fazê-los arrepiar caminho, ao menos tenhamos piedade!”

Na Cova dos Leões

Tomás da Fonseca

Portugal-Fatima-O-Milagre-de-Fatima-Original-Artic

 

 

Claro que não vou transcrever o livro “Na Cova dos Leões” na sua totalidade.

Vou compartilhar apenas alguns trechos que, espero, agucem o apetite de quem deseja conhecer a verdade e deixar de fazer papel de otário. Permanecer na mentira depois de saber a verdade, é uma passagem sem volta para uma eternidade de dor e sofrimento. E, não adianta desculpar-se com a “fé” que herdou dos antepassados. Essa fé não salva porque está depositada num embuste Deus abomina e que você se recusa a ver.

 

“A chave de tudo em negócios da igreja _ quaisquer que sejam, é o confessionário. […] Estudaram juntos todos os pormenores e hipóteses, pró e contra. Um deles _ e não dos menos delicados _ dizia respeito às palavras que era necessário pôr na boca dos garotos. Na deles e na da Santa, não fosse ela tagarelar como a de La Salette, ou empregar expressões idiotas como a de Lourdes. […] Uma das mães era letrada. Aproveitaram a circunstância, passando-lhe a Missão Abreviada para ler em família. Golpe de mestre! Dentro de pouco, os três miúdos não só conheciam a história de La Salette como tinham visões durante o sono. Quase todas as noites lhe aparecia a Santa, coroada de estrela, mãos em súplica e rosário pendente. Os últimos ensaios versaram sobre as palavras que ouviriam à Santa. Poucas e acessíveis à mentalidade dos comparsas. «Eu sou a Nossa Senhora do Rosário!» Apesar de tão cautelosamente ponderadas, quem não vê logo serem impróprias da pessoa a quem vão ser atribuídas? Fosse ela mais modesta e melhor conhecedora da língua portuguesa, e não teria empregado aquela fórmula, mas esta outra: «Sou a vossa Senhora do Rosário.» Era ainda mais simples, mais eufónico, mais cristão, mais tocante, e por isso de muito maior efeito. Mas o ensaiador não pensou nisso. E, se pensou, não corrigiu. […]

 

Absurda foi a lengalenga da menina Merlière em La Salette. Apesar disso, o próprio clero admitiu-a a correu mundo, levada pela boa fé dos que nela acreditaram. Absurda foi também a da futura Peregrina, e por isso mesmo os seus devotos lhe dão crédito e a repetem aquém e além-mar. Os empresários ensinaram assim, os meninos repetiram assim, o vizinhos da Cova acharam bem, e como nem o pároco da terra nem o bispo da diocese dissentiram, eis a inconcebível fórmula transformada num dogma de fé! […] Nos passos que se deram e falas que se trocaram na preparação da piedosa fraude, nunca o pároco foi visto. […] A repulsa do cardeal Mendes Belo, homem sensato e culto, lia pelo daquele arcebispo de Bordéus, Mr. Guibert, que, procurado um dia por certa religiosa, portadora duma mensagem da Mãe de Deus, respondera:

_«Está bem. O vosso discurso interessou-me. Portanto, a primeira vez que virdes a Santa Virgem, dir-lhe-eis da minha parte que lhe peço para que se digne vir dizer-me essas coisas a mim  próprio. Porque eu tenho muita confiança nela e nenhuma em vós, a quem não creio ser capaz de entender o que ela possa comunicar-vos.»

 

Como na diocese de Bordéus, também na de Lisboa, enquanto vivo fosse, o cardeal Mendes Belo não permitiria aparições de santas nem de santos. Tão convencido estava de que tudo aquilo era obra de charlatães, destituídos de qualquer sentimento de liberdade cristã, que desde o início proibiu a comparticipação do clero da sua diocese, no que foi realmente obedecido. E a melhor prova desse convencimento está no facto de ter morrido em 1929 sem nunca honrar, com a sua presença. A «Lourdes Portuguesa», como desde logo lhe chamaram. (O cónego Formigão foi ainda mais longe, denominando-a «Paraíso na Terra».) […] Pela confissão, tudo se sabe e tudo se manobra. Dela nada transpira sem autorização do confessor, que fecha a boca ao penitente com a ameaça de excomunhão maior. […] A confissão auricular! Conspiração sinistra, mas legar para o mundo católico! Pois aí a temos actuando, noite e dia, na paróquia de Fátima, para levar à cena a tragicomédia das aparições!

 

Do livro: Na Cova dos Leões

Tomás da Fonseca

 

FatimaMultidao13OUT.jpg

 

 

Continuando com a verdadeira história da aparição em Fátima:

 

Pouco tempo depois, encontrei no Chiado o professor Bissaia Barreto que V. Em.ª bem conhece, desde as lides universitárias de Coimbra. Ele então emitiu o seu ponto de vista [em relação à aparição de Fátima], e eu defendi o meu […] ele deteve os passos e preveniu-me, como amigo de há muitos anos:  «Toma cuidado! Essa atitude pode acarretar-te graves dissabores, como já tem acarretado a outros!» E exemplificou: «Há tempo, um professor duma universidade católica alemã veios a Portugal estudar o caso de Fátima. Foi à Cova da Iria, assistiu a peregrinações, passeou pelas aldeias e, depois de muito ver, ouvir e comparar, remeteu para o seu país as impressões colhidas. Tanto bastou para ser expulso de Portugal!» […]

Assente, como vimos, o aparecimento da Santa, faltava o plano de trabalhos que deviam traçar com maior cuidado e segurança, não fosse acontecer-lhes como ao pároco de Cops, no caso de La Salette. Este manobrava com tal pressa que, em lugar de uma Virgem Santa, que viria do Céu, apareceu uma ex-religiosa, a menina Merlière, que nos dias das aparições vinha de trem, que a largava em certo ponto, donde subia ao monte, por veredas ocultas ao olhar dos profanos. O pior foi ter falado demais, e tão pouco a propósito, que acabou por ser chamada a prestar contas à Justiça e condenada como embusteira. Ela e o pároco organizador do embuste.

 

Em Portugal, país onde o laicismo se arraigara profundamente na alma popular, as coisas tinham que ser vistas a uma luz em que a prudência ocupasse o primeiro lugar. Assim o impunha a vastidão da empresa projectada. Começariam por visitar a região, a fim de escolherem o local mais adequado ao intento. Isso fizeram, assentado que a Senhora apareceria junto duma azinheira  ou outro arbusto, para não copiarem La Salette nem Lourdes. E a azinheira surgiu, frondosíssima, no Chão das Maias, arredores de Junceira, concelho de Tomar.

 

Tudo parecia correr bem. Sítio aprazível, possibilidade de comunicações, o Nabão perto… Quanto à Santa, o nome também estava achado: denominar-se-ia Senhora dos Catorze, por ser esse o dia escolhido para a sua primeira aparição. E realmente ela teria aparecido se não fosse ter surgido também o proprietário da herdade, que não só lhes proibiu a invasão da mesma, como ainda resolveu cortar a frondosa azinheira, que uma junta de bois arrastou para junto de um forno, onde se converteu em cinzas. (Informação fornecida pelo sr. António Curado Glória, sobrinho e herdeiro do professor Bernardo, que até morrer protestou sempre contra o embuste das aparições).

 

À vista de semelhante fracasso os empresários procuraram outro local e outra azinheira, escolhendo por fim a da Cova da Iria junto a Fátima, mas depois de terem verificado se por ali existiam ortigas, não lhes sucedesse como à outra Virgem-mãe que descera igualmente do Céu e ali poisara num rodelo dessa planta, donde lhe veio o nome. * Não havia, talvez porque a outra, vendo que a não tomaram a sério, e antes de voltar para o Céu, tivesse amaldiçoado tal lugar e tal erva. […] Outro problema a resolver, e este bastante melindroso: o número e qualidade dos restantes comparsas. Neste ponto, é que não viram meio de evitar os pastorinhos _ única maneira, até hoje, de obrigar a Senhora a dizer coisas, visto que nunca se entendera com pessoas letradas. […] O pároco local, Manuel Marques Ferreira, logo se rodeou de duas ou três crianças, filhos de gente pobre e inculta, todos eles analfabetos, mas treinados na cartilha e no rosário. […] Todos eles, pais e filhos, bem ligados aos párocos pelas missas, catequeses, sacramentos e, sobretudo, pelo confessionário.

 

* V. Santuário Mariano (edição de 1707), vol., p.349, onde Frei Agostinho de Santa Maria, inicia o cap. 22 com a seguinte legenda: «Da imagem de N. S. da Ortiga, em o lugar de Fátima, termo de Ourém.» A seguir, narra o frade: «Referem por tradição os moradores que, andando naquele sítio do Casal de Santa Maria uma menina muda, apascentado umas ovelhinhas… lhe aparecera a Mãe do Divino Pastor, Maria Santíssima, e que lhe dissera: “Queres dar-me uma das cordeirinhas que guardas?”» O resto é como em todas as aparições de santas: a língua desprendeu-se, os ouvidos destaparam-se e aí vai ela a correr, gritando o seu milagre, pedindo ao mesmo tempo que levantem a igreja que a Senhora reclama. E começam os milagres, que, afinal, pouco duraram, devido às tais ortigas, que tanto picaram e tanta comichão fizeram nos devotos, que em torno do santuário, durante a noite, por ali se abaixavam. Comichões e brotoejas, que muito irritaram a Senhora, a ponto de esta nunca mais lá voltar.

 

Do livro: Na Cova dos Leões

Tomás da Fonseca, pp. 178-180

 

8888683_Srp2z.jpg

 

 

Já aqui havia mencionado como e quando foi inventado o dogma da Imaculada Conceição:

"A História conta-nos que Pio IX, no ano de 1854, proclamou a doutrina da Imaculada Conceição (cerca de mil e oitocentos anos após a morte de Maria) , segundo a qual a Virgem Maria (e não Jesus Cristo, como julgam muitas pessoas) foi concebida sem pecado original. A forma como fez essa proclamação foi significativa, se não mais ainda do que a própria doutrina. Embora Pio tenha consultado vários bispos previamente, ousou _ como nenhum papa antes dele _ avançar com esse dogma pela sua própria autoridade. Ao fazê-lo, deu um enorme impulso ao florescente culto a Maria, que vinha ganhando força nesse século.

Só 4 anos depois é que a invenção de Pio recebeu o selo da "divina" aprovação: em Lourdes, a Virgem apareceu à jovem Bernardette Soubirous e apresentou-se, dizendo: «sou a Imaculada Conceição»."

 

Esta apresentação, por si só, nega totalmente que tenha sido a mãe de Jesus a aparecer à pastorinha. _ Porquê? Leiam:

 

Quando “apareceu” à menina, a Srª não parecia conhecer a língua em que lhe falou, que induziu em erro grave. Ela disse-lhe:

«Sou a Imaculada Conceição» A sabedoria divina a confundir uma função puramente genésica com um nome! Traduzido em linguagem vulgar, o nome soa deste modo: «Sou a função do órgão feminino que desenvolve um gérmen fornecido pelo macho.» Isto é _ um acto, não uma pessoa. A pobre Senhora quereria talvez dizer: «Eu sou aquela cuja conceição [concepção] foi imaculada». Nenhum francês, mesmo de mediana cultura, usaria semelhantes expressões. Não era uma criatura, mas sim o acto pelo qual é possível a geração.

(V. Heliodoro Salgado, O Culto da Imaculada, p. 180, e No Rescaldo de Lourdes, por Tomás da Fonseca).

 

Nossa_Senhora_de_Lourdes.jpg

 

O Dr. Luís Cebola, especializado em doenças mentais, e, nessa altura, director da Casa de Saúde do Telhal, sabendo que eu andava colidindo elementos para a história do embuste de Fátima, garantiu-me o seguinte: O seu amigo, padre Fernando Eduardo da Silva, capelão militar já falecido, procurara-o, um dia, para dizer-lhe que não desejava ir desta vida sem lhe confidenciar um facto que supunha da maior gravidade para a Igreja Católica, de que era ministro. E narrou o diálogo havido em Torres Novas, entre três sacerdotes: O pároco de Fátima, Manuel Marques Pereira, o fanático Benevenuto de Sousa e o padre Abel Ventura do Céu Faria, prior de Seiça. Perguntado o primeiro sobre como lhe corria a vida na paróquia, respondera: «Aquilo não dá nada. Região pouco produtiva, gente miserável, sem iniciativa…» Então, o que perguntara lembrou-lhe: «Tens uma maneira de enriquecer depressa: provoca uma aparição como a de La Salette ou a de Lourdes e cai-te lá o poder do mundo!» O de Fátima ouviu, pensou um bocado e replicou: «Pensas bem. O meio presta-se para coisas dessas!» E logo ali combinaram promover, sem perda de tempo, a aparição, entrando os três no negócio. Como, porém, rebentasse a grande guerra de 1914, os trabalhos da empresa foram suspensos até 1917.

[…] Tempos depois, encontrei-me com o velho democrata Manuel Duarte, que me informou de outro caso, não menos valioso: a conversa que o bispo de Leiria mantivera com o Dr. Egas Moniz, meses após a farsa das aparições de Fátima. […] Regressando da sua aldeia, encontrara no comboio o referido bispo, D. José Alves Correia da Silva, […] até que veio à baila o problema religioso, que tanto se modificara após a Guerra de 1914. […] Uma coisa o andava confrangendo: era o caso de Fátima, em que estavam envolvidos alguns párocos, um dos quais excessivamente falador. (É possível que falasse também no velho e astuto Benevenuto, grande empresário de santuários.)

«Compreendes _ continuou o bispo _ a minha preocupação e receio de que tudo redunde num fracasso, ou, melhor, num desaire para a Igreja de que sou representante.» (Deve ter-lhe recordado o escândalo de La Salette, que acabou nos tribunais, com grave desprestígio para a religião.  Estava também na memória de todos e desfecho que tivera o caso do santuário da Senhora de Lourdes, que o referido Benevenuto mandara construir em Torres Novas _ totalmente arrasado pelo povo, irritado com os abusos que à sombra cometiam*).

O professor procurou sossegar os espírito inquieto do bispo. «Diz-me: isso está limitado à acção do clero local? O povo não colabora?» O bispo esclareceu que a concorrência ao santuário era já muito grande e que aumentava dia a dia. E o cientista, que é também hábil psicólogo: «Uma vez que o povo já tomou conta do caso, sossega, porque só ele poderá desfazer o que está feito. E sabes bem que não o fará na tua diocese, uma das mais devotas da nação. Pelo que me dizes, o povo já proclamou a aparição, já lhe ergueu santuário e corre em chusma para ele. Tu preveniste o clero numa pastoral para que não tome partido pró ou contra. Fizeste bem. Salvaguardaste o prestígio da Igreja para a hipótese de qualquer fracasso. E agora, caro amigo, lá vai a minha profecia: Dentro de pouco tempo terás de sancionar a voz do povo, e tu próprio acabarás por presidir e orientar os negócios de Fátima.»

 

* Tenho à vista um dos apelos feitos pelo referido Benevenuto ao povo da sua região, em Maio de 1910. Dele transcrevo apenas a seguinte passagem: «As ofertas podem consistir em uvas, figos, legumes, trigo, milho, mosto, vinho, etc. etc., ou em dinheiro.» E fecha: «Gratidão à Virgem Imaculada! Ofertemos-lhe, dos frutos das nossas propriedades, o melhor!» A Monarquia, para manter as instituições que vigoravam então, permitia, aconselhava e tomava parte nestas manifestações de fé. A Republica , dispensando a protecção do Céu, transferiu para o povo o direito de regular o seu destino. E Torres Novas começou por derribar o santuário e entregar à polícia o charlatão. Quando se viu preso no Governo Civil de Santarém, o impostor Benevenuto chorava como uma criança. (V. meu artigo em Republica Portuguesa, Outubro de 1910).

 

Do livro: Na Cova dos Leões

Tomás da Fonseca

maxresdefault.jpg

 

 

01 Jun, 2015

Na Cova da Iria

Carta ao Cardeal Cerejeira

 

“Eminência:

E cá estamos prontos a visitar essa tal Cova da Iria, onde a Igreja Católica, inspirada pela Companhia de Jesus, quis que, uma vez mais, depois de tantas, a Virgem Maria aparecesse aos pastorinhos. Esse embuste grosseiro, de que o clero com frequência lança mão, para mais eficazmente explorar e embrutecer o povo, se é realmente velho entre nós, aumentou assustadoramente com a vinda dos discípulos de Inácio de Loyola. Efectivamente, em menos de meio século de domínio, não havia em Portugal paróquia, por mais pobre e obscura, onde eles não obrigassem  a Senhora a descer do céu e dar audiência a pastorinhos ou procurar locais próprios para a edificação de santuários, onde previamente escondiam imagens dela e do menino. Essas aparições miraculosas verificavam-se umas vezes em tocas de castanheiros; outras, debaixo de uma penha; aqui, junto duma nascente; além, no alto duma montanha; mais longe, num rodelo de mato ou num campo de ortigas (Alusão à Senhora da Ortiga, em Fátima, que não vingou precisamente porque abundavam ortigas, mas faltavam nascentes.); no Sul, sob azinheiras; no Norte, entre carvalhos, etc.

 

[…] uma coisa ensombra e entristece: como houve quem os tomasse a sério? Onde estômagos que digerissem tanta palha, demais a misturada  com quanto cisco, poeiras e detritos a estupidez foi acumulando?   Que ideias fariam esses frades da mentalidade dos leitores e ouvintes dessas épocas? É certo que que alguns deles acreditavam tanto nas aparições que descreviam, como nós. Porque, vossa Emª, sendo inteligente e culto, também não pode admiti-las. Pois que: anular raciocínios, experiências e certezas, a ponto de aceitar, por exemplo, que a prioresa dum dos nossos mosteiros mandasse parar o Sol até que a comunidade concluísse as orações do coro _ «Viram que a venerável Madre lhes prognosticara, admirando todas que por mais de uma hora esteve o Sol parado, renovando-se neste prodígio as memórias de Josué» (Fr. José de Santo António - Flos sanctorum Augustiniano, primeira parte, p. 31. Em 1721, com todas licenças - do Provincial, do Santo Ofício e do Paço). _ e que outra, todas as noites jogasse às cartas com o Menino Jesus? (Vida de Maria da Purificação, escrita pelo seu confessor, Fr. Caetano do Nascimento).

 

Todavia, as crónicas monásticas e os hagiológicos estão cheios de maravilhas dessa natureza, maravilhas que hoje ninguém tem coragem de aceitar, quanto mais não seja pela baixa mentalidade que revelam. Ora, não admitindo as mil e uma aparições de Santas Mães, com que os antigos membros da Igreja portuguesa inundaram o País _ Santas que, ou já morreram, ou dormem nos seus nichos, cobertas de poeira e de teias de aranha _ como pôde estranhar que eu medisse a Senhora da Iria pela mesma bitola?  Pois, não a consideram, como as outras, esposa do Espírito Santo? Não deu também à luz o Filho do Altíssimo? Apesar de não trazer o menino ao colo, já alguém lhe negou o título de mãe? Sendo assim, por que motivo lhe dedicam tão diferente tratamento? Por que razão é que só ela tem direito a percorrer o mundo? Porque não vão também as Senhoras da Penha, da Rocha, da Nazaré _ essas e outras, todas de grande crédito e muito mais antigas? Porque as abandonaram, a ponto de muitas delas servirem apenas para esconder as ratazanas que ali criam os filhos, em ninhos feitos com os mantos de seda ou de damasco, que os antigos devotos lhes ofertaram? […]

 

Nenhum Deus, que me conste, voltou a fecundar filhas dos homens. Outro tanto, porém, não sucedeu às mães que os deram à luz, uma das quais [Sra. de Fátima] V. Emª apadrinhou e agora passeia pelo mundo, não avivando a fé ou distribuindo graças, mas em função da recolha de fundos. […] ela tanto subiu na escala do maravilhoso “cristão”, dominou tão completamente os velhos santuários, chamando assim o exclusivo milagre e tributação correspondente (porque na igreja tudo se paga, mormente a salvação das almas); e porque é hoje uma figura de projecção universal, bom é que apareça hagiógrafo que lhe ilumine o berço e celebre, não as suas andanças pelo mundo, que já todos conhecem, mas as graças que houve por bem distribuir sobre o País que a viu nascer e crescer até passar além das outras.

 

Porque esta não é das tais que antigamente desciam lá do alto, aureoladas por estrelas, entre os coros dos anjos. Como a de La Salette e a de Lourdes, também nasceu em sítio ermo, entre crianças que guardavam rebanhos, além, na tal Cova da Iria. E, como para muitos é desconhecida ainda a sua crónica, justo é que ninguém ignore a «maravilha fatal da nossa idade», que é realmente edificante. Comecemos a eito.

 

Na Cova dos Leões

Fátima - Cartas ao Cardeal Cerejeira

Tomás da Fonseca - (1877-1968)

 

Imagem11.jpg

 

01 Jun, 2015

Na Cova dos Leões

Estou a ler um livro que todos os portugueses deviam ler.

"O livro mais anticlerical de sempre, que desmonta e denuncia a grande e espectacular mentira de Fátima, humilhando a igreja e a padralhada em geral" - (contracapa)
É incrível que um povo prefira continuar cego, surdo, enganado e explorado por um clero sem escrúpulos quando a aparição de Fátima está mais do que bem documentada. Bem documentada, bem arquitetada, bem desmascarada e bem denunciada. Tomás da Fonseca, um ateu convicto, foi preso, compulsivamente reformado, perseguido, e duramente ostracizado pela ditadura portuguesa e pelo clero porque se atreveu a escrever a verdade s...obre a Cova da Iria em forma de epístolas que tinham como título: "Cartas a um Provinciano Inquieto". Nelas, Tomás da Fonseca denuncia as «burlas das deusas de La Salette, Lourdes e da Cova da Iria, a última das quais, apesar de mendigar de porta em porta como indigente, percorre o mundo de avião, organiza cortejos triunfais e faz-se proclamar, pomposamente, rainha de Portugal!». Leitura indispensável.

Um pequeno excerto:
«. a igreja voltou as costas a Cristo porque lhe opôs uma Senhora que dizem ter sido sua mãe, a qual, vestida de seda e ouro, [...] circula hoje como verdadeira soberana de Portugal daquém e dalém mar.»

 

image.jpg